A proposta do Seminário Psicanálise e Criminologia, neste ano de 2022, é estudar a psicanálise como ruptura do pensamento criminológico. Diante da descoberta do inconsciente por Sigmund Freud (1900) e do inconsciente estruturado como linguagem trazido por Jacques Lacan tornou-se inconcebível pensarmos o sujeito a partir de uma percepção positivista causal explicativa. A Criminologia construída, seja por dogmas cristãos inquisitórios, como em o Martello das Feiticeras, ou pelo Lombrosianismo, busca explicar o crime e o criminoso.


O objetivo do Seminário em 2022 é levantar questões que tragam a possibilidade de desconstruir a ideia de criminoso natural, pois não há nada de natural no ser falante. Sendo assim, neste ano estudaremos as teorias criminológicas, as estruturas clínicas em psicanálise (neurose, psicose e perversão), a passagem ao ato, o diagnóstico de psicopatia e casos de assassinos em série como o do Albert Fish, além de casos atuais que nos convoquem.

1º Encontro - 03/03/2022

A psicanálise como ruptura do pensamento criminológico

O primeiro livro de criminologia foi o Malleus Maleficarum (Martelo das Feiticeiras) e demonólogos e exorcistas foram os primeiros criminólogos. Do Martelo das Feiticeiras (1487) dos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger ao O Homem Delinquente (1876)  de Cesare Lombroso, psiquiatra italiano, foram 389 anos. Se os inquisidores falam em possessão demoníaca, em poderes extraordinários e em ritos para julgar bruxas e hereges, Lombroso coloca em cena uma criminologia calcada em explicar o delito como ente natural determinado por causas atávicas.

Quase um século e meio depois das ideias lombrosianas tomarem corpo elas permanecem em muitos campos do saber como nos diagnósticos psiquiátricos e psicológicos. O Transtorno de Personalidade Antissocial na psiquiatria e o de psicopatia na psicologia configuram exemplos destes diagnósticos. Lombroso fundou o positivismo criminológico que considera a criminologia como o exame causal-explicativo do crime e dos criminosos.

“A ideologia positivista de saberes engessados e seu determinismo biológico são colocados em questão com o surgimento da psicanálise” (FREIRE, 2015, p. 45). Diante da descoberta do inconsciente por Sigmund Freud (1900) e do inconsciente estruturado como linguagem por Jacques Lacan, tornou-se inconcebível pensarmos o sujeito a partir da uma percepção positivista causal-explicativa.

 

Referências

Cesare LOMBROSO

(1876) O homem delinquente. Tradução Antonio Roberto Hildebrandi; São Paulo: EDIJUR, 2020. 

 

Dercirier FREIRE

(2015/2021) Paranoia e Crime: do Direito à Psicanálise. Rio de Janeiro: Lumen Juris.

(2019) Uma Tríade Impossível de Regulamentar: Inconsciente, Transmissão e Desejo. In: Psicanálise & Barroco em revista | v.17, n. 01 | julho de 2019.

(2019) A Foraclusão dos Direitos Humanos e o Mal-Estar revelado por Sigmund Freud. In: Psicanálise & Barroco em revista. Edição Especial: Psicanálise e Política: versões e reversões do mundo e do imundo. v.17, n. 02,  outubro de 2019.

  

Heinrich  KRAMER & James SPRENGER

(1487) O martelo das feiticeiras. 4 ed. tradução Paulo Fróes, Rose Marie Muraro, Carlos Byington. Rio de Janeiro: BestBolso, 2018.

 

Sigmund FREUD

(1915) Reflexões para os tempos de guerra e morte In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (ESB). v. XIV.   Rio de Janeiro: Imago, 1996.

(1930) O Mal Estar na Cultura. Obras incompletas de Sigmund Freud. Belo Horizonte: autêntica, 2020.

 

Vera Malaguti BATISTA

(2012) Introdução Crítica à Criminologia Brasileira. 2 ed. Rio de Janeiro: Revan.

(2016) O positivismo como cultura. In: Passagens. Revista Internacional de História Política e Cultura Jurídica Rio de Janeiro: vol. 8, no .2, maio-agosto,  p. 293-307.

2º Encontro - 17/03/2022

A inimputabilidade de Sidileide Normanha, assassina de Andressa Serantoni.

 

 Teorias Criminológicas

Malleus Maleficarum (Martelo das Feiticeiras) - primeiro livro de criminologia;

● Escola clássica (séc XVII-XIX) - livre arbítrio/ crime ente jurídico;

● Escola Positivista – Cesare Lombroso;

● Teorias Sociais – questões econômicas, históricas e sociais;

● Teoria do Rotulamento (1950-1960) - etiquetamento/ reação social/ labeling  approach/Escola de Chicago

● Criminologia Crítica – década 70 – Marxista

● Abolicionismo Penal – crítica ao encarceramento dos consumidores falhos; propões chamar de situações problemáticas.

● Continuação das Teorias Criminológicas.

 

Referências
 

Charlotte GREIC

Serial Killers: nas mentes dos monstros. Trad. Larissa Wostog Ono. São Paulo: Madras, 2014.

 

Jacques LACAN

(1950) Introdução teórica às funções da psicanálise em criminologia. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 127-151.

(1950) Premissas a todo desenvolvimento possível da criminologia. In: Outros Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 127-131.

 

Jean-Claude MALEVAL.

(1995) Suplencia perversa en un psicótico. In: La actualidade del sintoma. Montevidéo: Psicolibros Waslala, 2010, p. 162- 179.

 

Tori TELFER

(2019) Lady Killers: assassinas em série. Rio de Janeiro: DarkSide Books.

3º Encontro - 31/03/2022

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Assassino em série da Idade Média:

● Gilles de Rais

Referências
 

Charlotte GREIC

Serial Killers: nas mentes dos monstros. Trad. Larissa Wostog Ono. São Paulo: Madras, 2014.

4º Encontro - 14/04/2022

Psicose x perversão

Os assassinatos imotivados

Referências

 

Paul GUIRAUD.

Os assassinatos imotivados.

In: Opção Lacaniana: Revista Brasileira Internacional de Psicanálise. n.9 Rio de  Janeiro/março, 1994, p. 85-91.

5º Encontro - 28/04/2022

● Elizabeth Báthory – 1560-1614

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● Um caso clássico de psicose:  Joseph Kallinger (1936-1996) – autor de assassinatos, torturas, incêndios, estupros

O caso será apresentado por Neiva Monteiro

 

“Extraordinariamente sensível, era também um assassino incapaz de saber a diferença entre suas visões e a realidade, entre os fantasmas que o assombravam e as pessoas que pensava estarem tentando destruí-lo”. (SCHREIBER, Flora Rheta. O Sapateiro: anatomia de um psicótico, Imago, p.19)

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Referências

 

Flora Rheta SCHREIBER.

O Sapateiro: anatomia de um psicótico.

Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Imago, 1985.

Tori TELFER

(2019) Lady Killers: assassinas em série. Rio de Janeiro: DarkSide Books.

6º Encontro - 12/05/2022

● Continuação do caso apresentado por Neiva Monteiro:  Joseph Kallinger (1936-1996) – autor de assassinatos, torturas, incêndios, estupros.

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7º Encontro - 26/05/2022

● Término do caso Joseph Kallinger (1936-1996) apresentado por  Neiva Monteiro. Neste encontro, serão abordados os diagnóstico psiquiátricos de Joseph e o período que ele esteve na prisão.

Referências

Flora Rheta SCHREIBER.

O Sapateiro: anatomia de um psicótico.

Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Imago, 1985.

8º Encontro - 23/06/2022

Delírio – a partir do livro Paranoia e Crime: do Direito à Psicanálise de Dercirier Freire.

DELÍRIO

FORMAÇÃO DELIRANTE

POSIÇÃO

PARANOICA

GOZO

Perseguição

Ele (a) me persegue

Paranoico é objeto da perseguição

Gozo reduzido a um perseguidor

Erotômano

Ele (a) me ama

Paranoico é objeto do amor

Gozo reduzido a um amador

Ciúmes

Ele (a) me traia

Paranoico é objeto da traição

Gozo reduzido a um traidor

Quadro do livro Paranoia e Crime: do Direito à Psicanálise p. 107

Referências

Dercirier FREIRE

Paranoia e Crime: do Direito à Psicanálise.

Rio de Janeiro: Lumen Juri,2015/2021. 

9º Encontro - 07/07/2022